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quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Brigadianos afrontam Tarso Genro, acuado no Palácio Piratini

Está cada vez mais complicada a situação do governador do Rio Grande do Sul, o petista Tarso Genro, que vem enfrentando a ira dos policiais militares (membros da Brigada Militar), os quais o atacaram duas vezes, dentro do próprio Palácio Piratini, em apenas dez dias. Tarso Genro prometeu demais durante a campanha eleitoral (piso salarial da PEC 300) e agora não sabe o que fazer, perdendo autoridade a cada dia que passa. Praças e cabos, reunidos na Abamf, mais sargentos e tenentes, reunidos na ASSTBM, junto com os oficiais, reunidos na AssOfBM, perceberam que o governo petista tenta dividí-los e avisaram que reagiriam.

A situação nesta quarta-feira era a seguinte: sargentos, subtenentes e tenentes rejeitaram aumentos de 18%, 11% e 10,5%, respectivamente, e que ainda seriam escalonados. E todos resolveram se reunir na noite desta quarta-feira para endurecer discursos e ações contra o governo petista, porque não receberam proposta alguma.

Nesta quinta-feira, soldados e cabos terão assembléia na Abamf para dizer se aceitam aumento salarial de 23,5%. Ao que parece, com grande clareza, o governo do petista Tarso Genro perdeu o controle da tropa. A oferta de 18% para sargentos e 11% para subtenentes e tenentes não agradou em função de que o governo ofereceu aos soldados mais de 20%. O grupo busca um reajuste igual para todos.

Os brigadianos já perceberam que apenas unidos e reagindo com força poderão conduzir o governo a negociações sérias. As três entidades principais (soldados e cabos; sargentos e tenentes; oficiais) resolveram unir o discurso e as ações. Depois de rejeitar as propostas feitas pelo governador Tarso Genro em 15 assembléias realizadas no Interior do Estado, os líderes e militantes da Associação dos Sargentos e Tenentes da Brigada realizou um protesto, na manhã desta quarta-feira, em frente ao Palácio Piratini, sede do governo do Estado, em Porto Alegre.

Os manifestantes foram fardados e promoveram um "apitaço" diante do Palácio Piratini. Na manhã desta quarta-feira, a associação confirmou a decisão das regionais. Os PMs reivindicam um reajuste linear para a categoria. De acordo com o tenente Érico da Rosa, da associação regional de Pelotas, os PMs esperam agora uma nova reunião com os representantes do Executivo estadual.

O presidente da Asstbm, Aparício Santelano, disse que o governador Tarso Genro não vai dividir os brigadianos de nível médio com propostas diferenciadas: “Não vamos aceitar um centavo se não for igual para todo mundo. Não vamos compactuar com desvio de conduta do servidor, mas não podemos conter isso se não houver reajuste digno para policiais de nível médio”.

O presidente da Associação de Cabos e Soldados (Abamf), Leonel Lucas, participou da reunião. Ao final, disse que as categorias de nível médio não sairão desunidas. “A ex-governadora Yeda Crusius não conseguiu nos desunir em 2009 e não vai ser o governador Tarso Genro que conseguirá”. Lucas vai levar a decisão dos sargentos e sdubtenentes aos filiados da Abamf. Oficiais convocaram plenária para a noite desta quarta-feira no salão da Reitoria da Ufrgs e pediram que todos comparecessem fardados à reunião.

O blog Polícia & Política avisou que Tarso Genro não apenas não cumpriu suas promessas de campanha, mas, além disto, confisca seguidamente a renda dos brigadianos. Leia: "O candidato a governador do PT prometeu, quando na campanha salarial, um tratamento condigno aos policiais e o que fez ao ser eleito? 1 - Aumentou a previdência de 11% para 14%; 2 - Criou comissão para tratar da separação do Corpo de Bombeiros da Brigada Militar; 3 - Suspendeu o pagamento da Bolsa Formação; 4 - Aprovou o aumento do prazo pra pagamento dos RPV's (precatórios de pequeno valor). O que falta ainda?" Fonte: videVERSUS

sábado, 17 de setembro de 2011

Outdoor com protesto por melhores salários para PM é colocado em Gravataí (RS)

Policiais Militares colocam outdoor para protestar por melhores salários em Gravataí (RS).
Mais três protestos com ameaça de bomba foram registrados no Estado

Um outdoor foi colocado na cidade de Gravataí (RS) em protesto de policiais militares por melhores salários. A propaganda dizia: “O povo gaúcho tem a melhor Polícia Militar do Brasil, mas com o pior salário”.

Neste sábado, outra manifestação ocorreu em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, onde um boneco fardado com um suposto explosivo foi deixado na avenida 1º de Março.

O Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) chegou a ser acionado, mas os policiais do da Brigada Militar da cidade acabaram constatando, antes da chegada da equipe especializada, que o objeto era apenas uma imitação de bomba. Na quinta-feira (15), em Porto Alegre, e em Santa Vitória do Palmar, no Sul do Estado, ocorreram dois outros protestos com suposto explosivo.

Os institutos responsáveis pela Brigada estão em negociação com o governo para um reajuste salarial ao longo do ano. Em agosto, foram registrados diversos protestos com queima de pneus organizados pelos PMs. A maioria aconteceu em estradas, que ficaram interditadas.

Na quinta-feira (15), o governo do Estado propôs que o abono de R$ 300 que havia sido oferecido aos policiais militares seja substituído por um reajuste sobre o salário-base, pago em duas vezes – em outubro de 2011 e em abril de 2012.

O acréscimo aos pagamentos é equivalente a 23,5% do salário dos soldados e a 10,5% dos tenentes. Além disso, o número de promoções aumentou de 1,2 mil para 2,8 mil, em quatro anos.

Do Correio do Povo, com R7 (Arthur Pulls)

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Governador recebe Comissão de Segurança e Associações PM/BM

O Governador do Estado do Espírito Santo, Renato Casagrande, recebeu na manhã de segunda (12/09/2011) em seu gabinete os Deputados Estaduais Gilson Lopes (PR), Luiz Durão (PDT), Henrique Vargas (PRP), Nilton Baiano (PP) e Josias Da Vitória (PDT) da Comissão de Segurança, bem como o Presidente da ASSES ST PM Paulo Araujo de Oliveira e os demais representantes das Entidades de Classe da PM e BMES (ACS, ASSOMES, ASPOMIRES e ABMES), cumprindo um de seus compromissos de campanha, abrindo as portas do Governo para as Entidades de Classe, para que se discuta os projetos institucionais.

A reunião teve como pauta o Projeto de Lei Complementar (indicação nº.596/2011) encaminhado ao Governo versando sobre a Reestruturação do Quadro Organizacional da PMES e do aumento salarial nas tabelas de subsidio e soldo, onde estiveram presentes o Secretário de Segurança Publica e Defesa Social Dr. Henrique Herkenhoff e o Secretário de Gestão e Recursos Humanos Heraclito Amancio Pereira Junior .

Abrindo a reunião o Presidente da Comissão de Segurança, o Deputado Estadual Gilson Lopes, manifestou-se agradecendo ao Governador a oportunidade de estarem presentes naquele gabinete e discutirem assuntos institucionais que beneficiarão os militares da ativa e reserva da PM e BMES, momento em que passou a palavra ao Deputado Estadual Josias da Vitória, que da mesma forma agradeceu o Governador pela oportunidade, falando da importância do acolhimento e aprovação da Indicação nº.596/2011. Com autorização do Governador passou a palavra ao Presidente da ASSES, ST PM Araujo e o Presidente da ACS Cb PM Ramalho para que fizessem a defesa do pleito das entidades.

O Presidente da ASSES, ST PM Araujo, agradeceu a oportunidade ao Governador Renato Casagrande enfatizando a importância deste momento histórico que as Entidades de Classe estão vivendo, junto a Comissão de Segurança da ALES, aos Comandos da PM e BMES e hoje sendo recebidos pela mais alta autoridade do Estado.

Em sua fala esclareceu ao Governo do Estado sobre a deficiência do efetivo da PMES nos seus diversos postos e graduações dentro de seus respectivos quadros (QPMP-C, QPMP-S, QPMP-M e QOA, QOA-S e QOA-M), sobretudo enfatizando a não contemplação dos militares da saúde no governo anterior e ainda sobre o claro que existe no posto de 2º Tenentes QOC que seria corrigido com a promoção dos Subtenentes que hoje já tem assumido a função dos oficiais supramencionados.

Outro fato relevante abordado pelo Subtenente Araujo foi a desmotivação dos Militares Estaduais, visto a sobrecarga de escalas de serviço demandada. Frisou ainda a importância da aprovação desta indicação de Lei Complementar para a carreira do Policial e Bombeiro Militar, principalmente para a categoria dos Subtenentes e Sargentos que não foi contemplada quando da aprovação das tabelas de subsidio no Governo anterior, fato que repercutirá diretamente na melhoria da qualidade de vida do militar e sua família, bem como para a sociedade capixaba nos serviços prestados na preservação da Ordem Pública.

Dentre outras propostas foi levado ao Governador a necessidade da elaboração de um código de ética para a Policia e Bombeiro Militar, bem como a criação de uma comissão que reavalie a Lei Complementar nº467 no que tange a aplicação do teste de aptidão física (TAF), visto o fato que culminou com a morte do Soldado PM do 10º BPM, Valdecir Uillyg da Silva, quando treinava para o referido teste, tendo este fato sensibilizado o Governador Renato Casagrande que esclareceu aos presentes que mudanças deste teor, visando corrigir atos discriminatórios dentro das corporações terão prioridades de análise em seu Governo.

Finalizando sua fala o Subtenente Araujo indagou ao Excelentíssimo Senhor Renato Casagrande, se o Hospital da Policia Militar está sendo contemplado dentro do Planejamento Estratégico de seu Governo, tendo o Governador respondido que o HPM está inserido nas suas ações de Governo sendo inclusive determinado ao Secretário de Segurança Pública e Defesa Social a nomeação de uma comissão para elaboração de um projeto estrutural e afirmou que a direção do hospital continuará a cargo da Polícia Militar.

Após aproximadamente duas horas de reunião o Governador do Estado com boa receptividade e tendo entendido a real importância das reivindicações feitas através da indicação nº.596/2011, a encaminhou aos Secretários de Gestão e Recursos Humanos e de Segurança Publica e Defesa Social, para análise, dando autonomia aos Secretários para discussão direta com a Comissão de Segurança da ALES, os Comandos Gerais da PM e BMES enfatizando sobre a participação efetiva das Entidades de Classe nas discussões.

A Diretoria da ASSES agradece aos Deputados Estaduais Gilson Lopes (PR), Luiz Durão (PDT), Henrique Vargas (PRP), Nilton Baiano (PP) e Josias Da Vitória (PDT), Deputados estes que compõem a Comissão de Segurança da ALES pelo empenho dispensado na busca pelo resultado positivo neste pleito. Fonte: ASSES

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

RS: Governo e policiais voltam a negociar reajuste

Protestos de brigadianos com queima de pneus têm chamado a atenção dos gaúchos

Nesta segunda-feira, às 17h, deve ocorrer mais um capítulo da negociação salarial entre governo estadual e policiais militares (PMs).

Há um mês, os protestos de brigadianos chamam a atenção dos gaúchos. Já foram mais de 40 queimas de pneus pelas estradas do Estado.

Os PMs querem 25% de aumento sobre o salário básico, hoje, em R$ 387,24. O governo ofereceu 4,63% e anunciou que não é com protestos que se dialoga.

Os PMs avisam: se da reunião de hoje não sair uma sugestão razoável, outras modalidades de protesto serão colocadas em prática.

Um sargento da Brigada foi enfático:

— Não queremos nada além do que nos foi prometido em campanha: o piso nacional (R$ 3,2 mil). Queima de pneu é só o início. O próximo passo é bloquear a circulação mesmo.

Fonte: Letícia Barbieri (Zero Hora)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Protestos chegam à Capital: PMs colocam fogo em pneus na Avenida Mauá, no Centro

Protestos chegam à Capital: PMs colocam fogo em pneus na Avenida Mauá, no Centro
Uma das faixas encontradas no local fazia referência ao governador Tarso Genro

Os protestos de policiais militares por melhores salários chegaram à Capital na madrugada desta quinta-feira. Uma série de pneus foram queimados na Avenida Mauá, esquina com a Rua Carlos Chagas, no centro de Porto Alegre, por volta de 2h30min.

Segundo a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), duas faixas laterais ficaram bloqueadas no local e o Corpo de Bombeiros foi acionado para apagar as chamas. Foram encontradas duas faixas com manifestações dos oficiais. Em uma delas, os dizeres: "Governador: chega de esmola. Salário digno já".


Uma das faixas ameaça: "A Brigada vai parar"
Foto: Lauro Alves

A onda de bloqueios de rodovias com pneus em chamas aumentou a tensão em torno da negociação salarial entre governo e a entidade que representa os soldados da Brigada Militar.

Depois de apoiar sete protestos e acertar uma trégua, a Associação Beneficente Antônio Mendes Filho (Abamf), entidade que representa servidores de nível médio da BM, perdeu o controle sobre os incendiários que voltaram a trancar estradas.

Na sexta-feira, em reunião no Piratini, o presidente da Abamf, Leonel Lucas, empenhou a palavra, garantindo o fim das manifestações, pelo menos, até o próximo encontro com o governo, agendado para a tarde de quarta-feira.

Outros ataques:

Um protesto interrompeu parcialmente o trânsito em uma rodovia do Estado. Na madrugada de quarta-feira, em Rosário do Sul, na Região Central, pneus foram queimados no km 471 da BR-158 (Rosário do Sul-Santana do Livramento). Das 3h20min às 4h, os veículos que passaram pelo local tiveram de usar o acostamento para seguir viagem.


Queima ocorreu no km 471 da BR-158
Foto: Divulgação/PRF

Uma equipe da Polícia Rodoviária Federal (PRF) ficou no local monitorando o trânsito até as chamas se apagarem, momento em que os pneus foram retirados da pista. Ao lado da rodovia, foi colocada uma faixa com questionamentos ao governo Tarso Genro a respeito do salário dos policiais militares.

Houve protesto também em São Luiz Gonzaga, nas Missões. Pneus foram queimados na BR-285, no km 565, por volta de 23h30min de terça-feira.

Em Caçapava do Sul, uma faixa foi colocada na terça-feira, na entrada da cidade, também em protesto por melhores salários para os PMs.

A BR-386 ficou completamente bloqueada em Canoas, na Região Metropolitana, por uma pilha de pneus que foram incendiados por volta das 4h de terça-feira. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) anunciou a liberação da pista cerca de 45 minutos depois do incidente.

Em Alegrete, na Fronteira Oeste, o protesto ocorreu no Km 571 da BR-290. A rodovia não chegou a ser bloqueada, mas pneus também foram queimados. Já na BR-471, em Santa Vitória do Palmar, na Região Sul, o bloqueio ocorreu na noite de segunda-feira.

Pneus foram queimados na BR-471, no sul do Estado
Foto: PRF, Divulgação

Na madrugada de segunda-feira, em Lajeado, os bombeiros precisaram ser chamados às 2h20min, no km 337 da BR-386. Sobre parte da via queimavam 10 pneus, obrigando os veículos a trafegarem em meia-pista. Ao lado dos pneus, uma faixa estendida falava do salário dos policiais militares no Vale do Taquari, remetendo o protesto aos outros feitos no Estado, que reivindicam aumento salarial aos policiais.


Protesto deixou trânsito em meia-pista na BR-386
Foto: PRF, Divulgação

Logo depois da meia-noite, em Santiago, na Região Central, no km 402 da rodovia Santiago — São Borja (BR-287). Os pneus colocados no centro da pista foram queimados, deixando no entanto, passagem pelas laterais para os veículos.


Cartaz de campanha salarial de PMs foi colocado na via
Foto: PRF, Divulgação

Na madrugada da última quarta-feira, três rodovias gaúchas foram alvo de queima de pneus. A autoria das manifestações é atribuída a policiais militares em campanha salarial.

O fogo produzido pela queima de pneus às margens da rodovia Erechim — Concórdia (BR-153) também surpreendeu os motoristas que passavam pela via às 4h30min desta quarta-feira. Ao lado, uma faixa de protesto reclamava do salário pago aos policiais militares.


Fogo não chegou a interromper o trânsito em Erechim
Foto: Alderi Bertuzzi

A rodovia Ivoti — Novo Hamburgo (BR-116) ficou interditada por uma hora, no km 232, em Estância Velha. Os pneus, espalhados por toda a extensão da rodovia pegaram fogo desde as 5h da manhã. Ao lado dos pneus, uma faixa estendida fazia referência ao piso salarial nacional dos policiais militares.


Pneus foram queimados também em Estância Velha
Foto: PRF, Divulgação

Em Santa Rosa, no noroeste do Estado, pneus foram incendiados por volta das 23h de terça-feira. O fogo provocou bloqueio da ERS-344, no km 46, saída para Giruá. De acordo com a Polícia Rodoviária Estadual, o trânsito ficou interrompido por cerca de 1h30min. Na entrada da cidade, uma faixa alerta para os baixos salários recebidos pelos policiais militares no Estado.


Faixa foi colocada na entrada de Santa Rosa
Foto: Frani Centenaro

Na última segunda-feira, cerca de 30 pneus foram incendiados na BR-285, em Passo Fundo, no norte do Estado. Faixas alusivas ao salário dos policiais também foram colocadas na via. Manifestação semelhante já havia sido feita em Frederico Westphalen, também no Norte, no dia 4 de agosto. A polícia investiga a autoria dos protestos. Fonte: Zero Hora

Pneus incendiados

Desde o início de agosto, diversos protestos com pneus incendiados têm sido registrados em rodovias gaúchas. Na maioria, faixas alusivas à campanha salarial de policiais militares são colocadas ao lado do fogo. A autoria dos protestos é investigada. Acompanhe no Google Maps

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Decisão inédita: Estado é condenado a indenizar familiares de policiais militares assassinados durante resgate de preso

Em uma decisão inédita, a Justiça condenou, em primeira instância, o Estado do Espírito Santo a pagar indenização mensal a duas famílias de policiais militares que foram assassinados a tiros durante resgate de um preso em São Mateus.


O Estado ainda foi condenado a indenizar, por danos morais, as duas famílias em mais de R$ 81 mil cada uma. A tragédia ocorreu no dia 9 de dezembro de 2005, em São Mateus, Norte capixaba. Mesmo com as indenizações a que terão direito, as duas viúvas continuarão recebendo os salários dos dois militares como pensionistas.


As duas sentenças, dadas pelo juiz Flávio Brasil Fernandes Reis, da 4ª Vara Cível de São Mateus, foram assinadas no dia 15 deste mês. O magistrado entende que o Estado falhou e por isso os militares foram mortos na emboscada. Flávio Brasil concluiu ainda que, embora soubesse do plano de resgate a um presidiário, a Polícia Civil não comunicou o fato à Polícia Militar.


Na ação criminosa, foram assassinados covardemente, com tiros na cabeça, o sargento Adalberto da Cunha Júnior, 47 anos, e o cabo Altamiro Paulino Sodré, 43 anos. Um bandido também foi morto, posteriormente, numa troca de tiros com a PM.


Os acusados de matarem os dois militares aguardam julgamento. São eles: Marcionílio Rodrigues de Paula, Flávio Correia Cristal, Renato Gomes Rodrigues, Ediana Lacerda Machado, Katiana Cristine Sales e Michele Guimarães Freire.


No dia 9 de dezembro de 2009, a Polícia Civil pediu à Polícia Militar que enviasse uma guarnição para buscar Marcionílio, que estava preso no cadeião da cidade, que funcionava anexo ao Departamento de Polícia Judiciária (DPJ) de São Mateus. A intenção era levar Marcionílio, que estava preso por tráfico de drogas, a um consultório dentário. O preso alegou que estava com problema dentário, mas o consultório a que foi levado era de um dentista prático.


Ao chegarem ao consultório, porém, o sargento Júnior e o cabo Sodré foram interceptados por bandidos armados de pistolas, que atiraram nos policiais e os mataram. Os criminosos resgataram Marcionílio, mas logo em seguida outras equipes da PM entraram em ação e cercaram as principais ruas do centro de São Mateus. Um dos bandidos foi morto na troca de tiros e os demais acabaram sendo presos.


Marcionílio confessou que havia tramado o resgate por intermédio de telefone celular que foi entregue para ele dentro do DPJ de São Mateus e em encontros pessoais que mantinha com sua mulher, Ediana, que o visitava quase que diariamente no DPJ.


Confessou ainda, conforme consta em depoimento na 2ª Vara Criminal do Fórum de São Mateus, que teria pago R$ 35 mil a dois policiais civis para que pudesse ter acesso ao celular e para que o plano do resgate não fosse impedido pela polícia. Entretanto, durante as investigações, a Polícia Civil concluiu que os dois policiais civis eram inocentes e sequer foram indiciados.


Em agosto de 2008, as famílias dos militares mortos entraram com uma ação de reparação e danos morais na 4ª Vara Cível de São Mateus. Para isso, contrataram o advogado André Luiz Pacheco Carreira.


“Tivemos que provar que os dois militares foram mortos por culpa do Estado”, disse o advogado. “A decisão do juiz Flávio Brasil é o reconhecimento da Justiça de que os policiais foram mortos por falha do próprio Estado”


A ação foi proposta pelas viúvas dos dois policiais: Maria Lucimar Goltara, que era casada como cabo Sodré; e Marina de Fátima Miguel da Cunha, esposa do sargento Júnior.


Logo no início da sentença favorável à Maria Lucimar, o juiz Flávio Brasil Fernandes Reis observa: “Os Requerentes pretendem, em síntese, a condenação do Requerido (Estado), independentemente da pensão previdenciária que é por eles recebida, ao pagamento de indenização por danos materiais e morais decorrentes do homicídio de que foi vítima o seu companheiro e pai, o policial militar Altamiro Paulino Sodré, alvejado e morto em serviço por meliantes que tentavam resgatar um preso no momento em que o servidor público conduzia-o a um consultório odontológico situado fora da cadeia pública, nesta cidade de São Mateus, no dia 09/12/2005”.


O magistrado Flávio Brasil prossegue:


“Para tanto, alegam, em suma: 1) que os policiais militares estavam trabalhando sem os necessários equipamentos e, os que tinham, eram verdadeiras sucatas; 2) que o Estado falhou ao determinar que policiais militares realizassem a condução de preso para consulta odontológica, incidindo hipótese de desvio de função, uma vez que tal atividade é inerente à policia civil; 3) que a Delegacia de Polícia/Cadeia Local não mantinha, à época dos fatos, ambulatório médico/odontológico em suas dependências, o que obrigava o deslocamento dos presos a hospitais e consultórios odontológicos, quando necessário; 4) a falta de segurança na Cadeia, tendo a fuga sido tramada dentro das suas dependências com utilização de telefones celulares; 5) que a responsabilidade do Requerido é notória e deriva dos artigos 186 e 927 do Código Civil, devendo responder pelos prejuízos causados por força da teoria do risco objetivo do Estado; 6) restando caracterizada a presença dos elementos da responsabilidade civil do Estado, quer objetiva, quer subjetiva, é de ser deferida a indenização por danos materiais aos autores, por dependentes da vítima, sendo que, o recebimento de benefício previdenciário - pensão por morte -, por possuir natureza jurídica distinta (previdenciária), não afasta o recebimento da pensão decorrente da indenização do direito comum; e, 7) que a indenização por dano moral está embasada na CF, art. 5º, incs. V e X, e art. 186 do CC, sendo possível a cumulação com a indenização por dano material”.


O juiz destaca também a defesa feita pelo governo do Estado:


“Contestação às fls. 214/224, acompanhada dos documentos de fls. 225/262, no bojo do qual o Estado alega, em suma: 1) que não existe nexo causal ou obrigação de indenizar; 2) que o dano experimentado não decorre de conduta praticada por agentes públicos; 3) que eventual responsabilidade por omissão é de natureza subjetiva, que demanda a prova de culpa; 4) que o ônus da prova cabe aos Requerentes, inclusive do nexo de causalidade; 5) que o vitimado estava com os materiais adequados e em perfeitas condições de uso; 6) que o nexo causal não decorre de suposto desvio de função; 7) que não existe lei que determine que as Delegacias de Polícia possuam ambulatórios médicos e odontológicos; 8) que não houve falta de segurança na Cadeia Pública; e, 8) que os pedidos indenizatórios são absurdos”.


Para os dois processos e nas duas sentenças, o magistrado deixa claro:


“No caso em tela, indo à origem, não se pode olvidar que o preso teve acesso, no interior da cela, a um aparelho de telefone celular (fl. 129), o que possibilitou a comunicação com os assassinos e consequentemente na tentativa frustrada de fuga que ocasionou a morte do policial militar que na época era um dos responsáveis pelo transporte do preso até o consultório odontológico, local da ocorrência dos fatos - a propósito, remeto aos documentos de fls. 82/83, 93/96, 111/116, 174/176, 178/179, bem assim, aos depoimentos de fls. 282/283 e 284/285, admitos por prova emprestada.


O fato é que, do exame percuciente dos documentos juntados aos autos, não infirmados, verifica-se claramente a utilização deliberada de aparelho de telefone celular pelo preso, por várias vezes e com diversas pessoas, inclusive tramando todo o seu plano de fuga, tudo diante da falha de fiscalização estatal, fato que não se pode conceber, notadamente quando se levanta o fato de que o Estado, por seus agentes públicos (policiais civis), possuíam informações da existência de plano para resgate do preso.


No depoimento de fls. 284/285, consta o relato da testemunha Elvis Silvares Pereira, servidor público militar, no sentido de que "restou apurado nas investigações, por meio de informação prestada pelo investigador Delson Baeta que a polícia civil já possuía informação no sentido de que existia plano para resgate do preso escoltado por ocasião do evento danoso; que a referida informação não foi transmitida para o Comando da Polícia Militar antes do sinistro.


Não obstante não se possa, de tal depoimento, de forma isolada, extrair potencial suficiente à responsabilização do Estado, porquanto faz alusão a informação prestada por terceiros, constitui ele sem dúvida mais um elemento de convicção, diante do contexto probatório produzido, notadamente quando se verifica que tal depoimento encontra congruência com a afirmação do preso Marcionílio Rodrigues de Paula, constante do documento de fls. 111/116, prestada à Autoridade Policial na presença do Ministério Público, no sentido de que "chegou a perguntar ao policial civil Delso, se não tinha conversa, pois queria fugir, porém o policial civil disse que não tinha conversa."havendo elementos outros indicativos de que o plano de fuga tinha o conhecimento de agentes estatais”.


“É bom frisar que, naquele ano de 2005, o Espírito Santo tinha outro governador (Paulo Hartung), que começava a modernizar e moralizar o sistema prisional capixaba. Hoje, o cadeião de São Mateus nem existe mais. O governo construiu uma cadeia moderna e de segurança máxima no município.


O juiz Flávio Brasil, entretanto, teve que se ater ao ano de 2005, quando os militares foram barbaramente assassinados. Por isso, o magistrado concluiu:


“Quer me parecer claro que o Estado falhou quando permitiu a entrada de aparelho celular na Delegacia de Polícia. Falhou o Estado quando permitiu a manutenção de tal aparelho no interior da Cadeia Pública. Falhou o Estado quando permitiu o acesso do preso ao aparelho celular. Falhou o Estado quando permitiu a comunicação do preso com o mundo exterior por meio do aludido aparelho por várias e seguidas vezes. Falhou o Estado quando não se cercou das cautelas necessárias ao impedimento da consecução do plano de fuga do preso, arquitetado, segundo consta, no interior da própria Cadeia Pública, notadamente quando há elemento indicativo de que agentes da polícia judiciária estadual possuíam a informação de que havia plano de resgate do preso escoltado, ou, na pior das hipóteses, da deliberada intenção de fuga deste, nada tendo feito, entretanto, que pudesse objetar a intenção do preso. Por fim, falhou quando procedeu ao tranporte de preso de alta periculosidade com número insuficiente de policiais.


Da leitura atenta destes autos, não existe qualquer dúvida de que a tentativa de resgate e consequente homicídio do servidor público foi planejada de dentro da Cadeia Pública pelo preso com a utilização de aparelho de telefone celular (fls. 178/179), fato incontroverso nesta lide, mesmo porque não infirmado por parte do Requerido”.


E diz mais: “Percebe-se também que a operação do tranporte do preso de alta periculosidade foi realizada por número insuficiente de policiais militares, havendo, também neste particular, falha do Estado”.


A decisão abaixo é em favor de Maria Lucimar, viúva do cabo Sodré, mas é a mesma dada à outra viúva, Marina de Fátima, que era casada com o sargento Júnior:


A) Condenar o Estado do Espírito Santo ao pagamento de uma indenização para a família, em forma de pensão mensal, em valor correspondente a 2/3 (dois terços) do soldo da vítima, inclusive décimo-terceiro, acrescido apenas das vantagens ordinárias e habituais que recebiam na época dos fatos, na forma da fundamentação, devida em conjunto aos Requerentes, sendo que, para o filho, até o atingimento da idade de 25 (vinte e cinco) anos (segundo a data do seu aniversário), e para a companheira, até que se complete a suposta expectativa de vida da vítima, ou seja, a data em que completaria 70 (setenta) anos (25.07.2032), eis que esta a expectativa de vida do brasileiro segundo dados recentes do IBGE.
A extinção da obrigação alimentar com relação a qualquer dos beneficiários reverte-se em prol do montante (direito de acrescer - RJTJSP 61/99 68/194, 67/195, 62/101, 45/117; Lex-JTA 75/129, 93/115), sendo que o direito da companheira ao pensionamento cessará também na hipótese de contrair núpcias ou união estável, revertendo-se em favor daquele cujo direito remanescer.


A pensão será retroativa à data do falecimento da vítima.


As prestações vencidas deverão ser pagas da data do evento danoso, acrescida de correção monetária calculada mês a mês e de juros de mora de 0,5 % também a partir do evento.


As prestações vincendas deverão ser incluídas em folha de pagamento, por ora, em nome da Requerente Maria Lucimar Goltara, observados, até a implementação do seu pagamento, os mesmos critérios de juros e correção monetária, sendo de sua inclusão em folha, deverão observar tão somente os reajustes de subsídios a que fizerem jus os praças com igual graduação (atualmente os servidores policiais militares recebem subsídios).


B) condenar o Estado do Espírito Santo a ressarcir aos requerentesas despesas havidas com o funeral e aquisição de jazigo para cada uma vítimas, no total de de R$ 3.100,00 (três mil e cem reais) cada, devendo incidir os juros legais e correção monetária a partir do efetivo desembolso;


C) condenar o Estado do Espírito Santo a pagar aos Requerentes, a título de danos morais, o valor de R$ 81.750,00 (oitenta e um mil setecentos e cinquenta reais), equivalente, hoje, a 150 (cento e cinquenta) salários mínimos, devendo incidir juros de 0,5% e correção monetária a partir da publicação da sentença, uma vez que já se está levando em consideração o valor consentâneo com a atualidade e não com aquele correspondente à época do evento danoso.


Para ler a íntegra das duas sentenças, basta ir ao site do Tribunal de Justiça do Espírito Santo. Os dois processos são de número 047080061683 e 047080066393. O site é www.tj.es.gov.br

Fonte: Blog do Elimar Cortês

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

PMs anunciam que farão passeata hoje em São Luís

Militares do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar realizaram, no final da tarde de ontem, uma assembleia na sede da Federação dos Trabalhadores na Indústria do Maranhão (Fetiema), na Praça da Bíblia. O objetivo foi decidir qual ação a ser tomada após o não cumprimento do acordo firmado com o governo do Estado, além da caminhada da PEC 300, a ser realizada na manhã de hoje.

Durante a assembleia, os militares foram informados acerca da Medida Provisória, n° 103/03 de agosto de 2011, assinada pela governadora Roseana Sarney, concedendo o valor de R$ 250 para o vale alimentação. Tal valor seria inferior ao que foi acordado anteriormente, junto com o secretário de Segurança, Aluísio Mendes. Na ocasião, o secretário teria garantido que o vale alimentação seria igual ao da Polícia Civil, ou seja, de R$ 280, começando a ser incluso na folha de pagamento a partir do mês de junho.

No acordo também teria sido firmado, para o ano de 2012, a concessão de insalubridade, adicional noturno e aumento da frota para os militares. “Estamos com o pé atrás porque o primeiro passo do acordo, que seria o vale, não foi cumprido, como deveria”, declarou o diretor para Assuntos Políticos da ASSPMMA, Roberto Campos.

Os integrantes da Associação dos Servidores Públicos Militares do Maranhão (ASSPMMA) mostraram grande insatisfação ao serem comunicados da Medida Provisória e decidiram, durante a assembleia, por unanimidade, realizar no próximo dia 31 de agosto uma passeata de insatisfação, para protestar contra a decisão. Após isso, os militares se reúnem mais uma vez, para decidir o próximo passo.

Outros assuntos em pauta – Também foi colocado em discussão, na assembléia, a passeata da PEC 300, a ser realizada na manhã de hoje. O evento, de caráter nacional, reúne deputados federais e representantes da categoria de outros estados. Na ocasião, os militares também dialogaram sobre de onde surgirá o fundo para o pagamento da PEC 300, que equipara o salário militar em todos os estados brasileiros. “Vamos aproveitar a presença dos deputados federais, durante a caminhada, para repassar a situação do Maranhão”, afirmou Roberto Campos.

Durante a assembleia, também foi denunciado que a ASSPMMA estaria sendo perseguida pelo Comando Geral da Polícia Militar, pois diretores da entidade teriam sido transferidos para o interior do estado ou para regiões distantes de São Luís. Outro ponto mencionado foi o objetivo dos militares de extinguir o Regulamento de Disciplina do Exército (RDE).

“Esse regularmente nos prejudica, pois é extremamente repressor e nos impede, até mesmo, de expressarmos nosso pensamento”, explicou Roberto Campos. Na ocasião também estiveram presentes membros da Associação da Família dos Militares (Afama).

“O movimento engloba todos os militares e por astúcia, muitos deles são colocados a trabalho para não fazer parte dele. Nós, como esposas de militares, estamos hoje aqui para garantir a presença de nossos maridos e defender os seus direitos. É importante ressaltar também que essa é uma oportunidade dos inativos também lutarem por seus direitos, uma vez que ao se tornarem aposentados, eles perdem todos seus benefícios, no momento em que mais precisam de recursos para a compra de medicamentos”, declarou Elzite campos, diretora da Afama. (Por Gabriela Saraiva) Fonte: Jornal Pequeno

segunda-feira, 25 de julho de 2011

PMs do Pará usam búfalos para fazer ronda na Ilha de Marajó

Além de auxiliar no trabalho policial em locais alagados, a "Bufalaria da PM" virou atração turística

Foto: Alessandra Serrão/Ag. Pará/Divulgação

Dez búfalos são usados pela Polícia Militar para fazer o policiamento ostensivo em Soure, na ilha de Marajó (PA). Os animais formam a chamada "Bufalaria da PM", que há quase 20 anos atua de forma curiosa na cidade, garantindo a segurança de moradores e turistas.


O cabo da PM Cláudio Vitelli, que foi um dos primeiros policiais a montar na bufalaria da corporação, explica que o uso dos animais no policiamento da cidade ocorreu de forma natural. "Percebemos que a população usava os búfalos para fazer várias atividades. Pensamos, então, que esses animais fortes poderiam ajudar a desenvolver o trabalho da PM aqui na cidade", conta.


No início, em 1992, apenas quatro búfalos participavam do trabalho. Alguns anos depois, outros animais e equipamentos, como carroças, entraram para o grupo. Os dez búfalos da PM são de quatro raças diferentes; dois são da mais forte dessas raças - a carabal.


"Os búfalos carabais são os mais fortes, pois são uma raça selvagem. No habitat natural eles são violentos e não permitem outro macho no grupo deles, só fêmeas. Os dois que temos aqui já foram treinados e respeitam os nossos comandos", revela o cabo, enquanto faz a ronda montado em um dos animais.


"As pessoas, no início, não acreditavam que daria certo este tipo de policiamento, mas este animal é muito importante no nosso trabalho", continua ele, informando que há casos em que a PM precisa percorrer terrenos alagados ou com lama, que só mesmo o búfalo aguenta.

Resistência
"Nos alagados, só os búfalos conseguem seguir sem problemas, pois eles têm uma tração muito forte, que o cavalo não tem", compara. Assim, na cidade a bufalaria trabalha na ronda e, na zona rural, geralmente, em casos de roubo de gado.


Os cuidados com os animais são diários. Em uma pequena fazenda, próximo ao 8º Batalhão da PM, em Soure, fica o local onde os búfalos repousam, se lambuzam de lama para se refrescar e se proteger contra parasitas e também são preparados para trabalhar. Vitelli diz que antes de sair para as rondas, os animais recebem alimentação, são banhados e selados.


A rotina da bufalaria da PM, porém, não é apenas de rondas e combate ao crime. A PM, com este trabalho, acabou virando uma atração turística e exemplo de cidadania. "Recebemos muitos visitantes aqui no quartel que querem conhecer esse trabalho. Muita gente daqui também vem", conta o policial, que dá palestras sobre o projeto para escolas e excursões que vão a Soure. A comunidade, que já está acostumada com os búfalos, de tantos animais que andam soltos pela cidade, já vê a bufalaria como uma parceira da segurança na cidade.

História
Baseado nas histórias que os mais antigos contam em Soure, o cabo Vitelli diz que há duas versões para o surgimento dos búfalos na região. Parte da cultura do arquipélago do Marajó, no Pará, os búfalos teriam chegado à ilha em 1890, quando um navio que carregava esses animais naufragou na costa. "Na hora do naufrágio, os búfalos, fortes, conseguiram nadar até a ilha e, desde então, se multiplicam aqui", relata.


A outra versão também remete ao ano de 1890, quando uma tradicional família da época, a Vicente Chermont, teria trazido da Ásia os búfalos. Todos diziam naquele ano que o búfalo era uma espécie de gado. Sem demonstrar descrença, o policial acredita nas duas histórias. "Para mim, as duas versões são verdadeiras. Os animais chegaram na balsa que naufragou e conseguiram se salvar, e, no mesmo ano, a família trouxe mais búfalos para a ilha", conclui. As informações são da assessoria de imprensa do Governo do Pará. Fonte: Portal Terra

terça-feira, 19 de julho de 2011

O corporativismo policial militar como empecilho à melhoria dos serviços de segurança e de prevenção e salvamento

O corporativismo estreito das instituições militares e policiais no Brasil vem prejudicando há muito o aperfeiçoamento da qualidade dos serviços de segurança prestados à população. Em nome da autonomia de suas corporações, mas na verdade para alimentar rixas históricas e afirmações de especificidades que só servem para preservar pequenos privilégios, a polícia civil e a militar, cada uma do seu lado, insistem em manter separadas organizações e funções que se encontram integradas em todo o mundo desenvolvido.

Resquício do poder militar do período ditatorial mantém-se ainda, no Brasil, a existência de uma Polícia Militar – cujo bairrismo e conservadorismo gaúcho insistem em continuar denominando de Brigada Militar – separada do polícia civil. Cada uma destas polícias mantém atribuições e competências distintas e somente a muito custo se integram na condução das ações policiais.

Concebida para exercer funções ostensivas, de intimidação ao crime e às transgressões, a polícia militar empunha armas e traja um fardamento característico. Concebida para exercer funções investigativas, a polícia civil, dita judiciária, não exibe armamentos nem uniforme e tem a atribuição de instaurar inquéritos e de encaminhá-los ao Poder Judiciário. Na prática, o que ocorre é muito diferente: ambas as polícias fazem inquéritos que, no entanto, são refeitos, quase sempre, pelo Poder Judiciário.

Nos países de democracia avançada e com serviços públicos de qualidade, incluindo-se os de segurança, existe apenas uma polícia, subordinada ao poder judiciário e agindo em cooperação com ele. As funções ostensivas são exercidas pelos policiais fardados e somente um inquérito é elaborado em conjunto com o Poder Judiciário. Os ganhos de competência e agilidade são imensos e eliminam-se também as disputas e as rixas rotineiras onde as polícias se mantém separadas.

No Brasil, ao contrário, a força do corporativismo policial retrógrado e o temor de enfrentar os velhos conceitos militares é tal que, além da divisão descabida, mantêm-se unidas ainda hoje, em alguns estados, instituições cujas funções não apresentam mais qualquer afinidade, pelo simples fato de que, historicamente, mantiveram-se unidas. É o caso do Corpo de Bombeiros e da Polícia (Brigada) Militar.

Em apenas quatro estados do país, dentre os quais o Rio Grande do Sul (além da Bahia, de São Paulo e do Paraná), permanecem unidas as corporações da polícia militar e a dos bombeiros. Nestes quatro estados, os bombeiros encontram-se subordinados em suas ações às determinações e ao comando da polícia militar. Desde 1988, com a Constituição Cidadã, os estados federados foram separando as duas instituições e determinando funções específicas para cada uma delas. Ganhou-se competência e efetividade nas ações em todos os lugares onde isto aconteceu.

No Rio Grande do Sul a divisão é quase um tabu. Não se deve tocar no assunto, nem mesmo quando o governo sinaliza disposição para discutir a questão e a população se manifesta favoravelmente ao desmembramento. Assunto mais votado entre os propostos aos internautas na estréia do Gabinete Digital do governo do Estado, do que resultou uma manifestação do governador Tarso Genro no sentido de que se deveria estudar o significado da autonomia dos Bombeiros, instalar um grupo de trabalho para tratar do tema e, posteriormente, editar um decreto para solucionar o debate, o comandante da Brigada Militar, ouvido pelo Sul 21, afirmou que a fala do governador foi mal interpretada e que “não há proposta sobre o tema porque nem [se está] tratando do assunto internamente [à Brigada]”.

Mal equipados, já que a maioria das verbas (que são sempre escassas na área de segurança) vai para o policiamento, mal aproveitados, já que os oficiais treinados em atividades de salvamento são destacados para exercer atividades de policiamento ostensivo, os Bombeiros nadam contra a corrente. A Associação dos Bombeiros do Estado do Rio Grande do Sul (Abergs) realiza palestras e promove encontros com a comunidade para expor as vantagens da separação entre Bombeiros e Policiais Militares.

Parece lógico (e talvez seja até evidente) que as funções de policiamento ostensivo e de salvamento são distintas e muito pouco complementares. Parece lógico (e quem sabe evidente) que as funções de salvamento (e de prevenção) devam ser exercidas por uma instituição criada e mantida especificamente para este fim. Parece lógico (e evidente) que os Bombeiros devam estar integrados e incorporados à Defesa Civil, como já ocorre em muitos estados brasileiros. Só a obtusidade do corporativismo estreito pode justificar a recusa da análise isenta e da discussão aberta do assunto. Dos dois assuntos, aliás, da separação dos bombeiros e da integração das polícias.

Fonte: Sul21

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Relato dramático de um PM sobre o descaso dos governos

“Já pensei em suicídio várias vezes”, confessa o cabo da PM do Ceará, falando de dívidas e humilhações

Suicídio, de Édouard Manet, 1877
Amigos, desde que comecei a acompanhar a tramitação da proposta de emenda constitucional que cria um piso salarial nacional para policiais militares e bombeiros [PEC 300], há várias semanas, venho recebendo muitas centenas de depoimentos de membros das corporações de todo o país. Já juntei alguns em post sobre os dramas e dificuldades da vida desses profissionais. Hoje, publico um especialmente dramático, de Fernando Cesar Viana, da Polícia Militar do Ceará, que fala por si.

Já estou cansado de ouvir tantas lamentações por parte de policiais militares, e ninguém faz nada, digo, os nossos governantes. Que vida mais desgraçada é essa de policial, pois a gente, depois que entra nela, não se ocupa de outra coisa, digo, principalmente, de estudar.

Pois, meu amigo, eu já pensei em suicídio várias vezes, mais aí penso no meu filho, que é lindo e que tem apenas 4 anos de idade, e em Deus, que vem à minha mente todas os dias e todas as noites, quando rezo junto com meu filho e minha esposa, agradecendo por mais um dia que ele nos deu.

Tenho 18 anos de polícia no Estado do Ceará, sou cabo, mais o nosso salário está tão defasado que nós recorremos aos bancos para fazer empréstimos em cima de empréstimos, e nos afundamos cada vez mais em dívidas. E a opção é muitas das vezes o velho BICO, sendo humilhado por certos civis, que usam do dinheiro para humilhar aquele policial que está lhe dando segurança, haja visto não poder humilhá-lo na rua. Então ele se aproveita para realizar tal desejo, com coisas como “compra ali uma carteira de cigarros”, “compra ali um sorvete para minha filha”, “ajuda aqui fulano a descarregar essa mercadoria desse caminhão”.

E o pobre policial, contratado como segurança, fazendo tudo isso em troca de um bico miserável.

Vou encerrar. Estou com nojo desses políticos safados e asquerosos, que só olham para o lado deles.

Coluna do Ricardo Setti

sábado, 9 de abril de 2011

30 horas semanais proposto por Capitão Assumção vai a debate

Segurança vai debater carga horária de policiais e bombeiros
A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado vai promover audiência pública para debater a carga horária semanal para os operadores de segurança pública (policiais e bombeiros), objeto do Projeto de Lei 5799/09, do ex-deputado Capitão Assumção. A audiência foi proposta pelo deputado Delegado Waldir (PSDB-GO) e ainda não tem data definida.

Serão convidados para debater o tema com os integrantes da comissão representantes de sindicatos, associações, secretarias de Segurança Pública, os diretores das Polícias Federal e Rodoviária e secretarias municipais que tenham guardas municipais.

Na avaliação do deputado Delegado Waldir, o projeto em discussão é complexo e “poderá ocasionar graves consequências na administração da segurança pública do País”. Para ele, a proposta “impede aos policiais avanços importantes em direitos e condições de trabalho”.

30 horas semanais
O projeto em debate estabelece que a duração normal da jornada de trabalho dos operadores de segurança pública - policiais militares dos estados, corpo de bombeiros, guardas municipais, policiais civis, guarda portuária, polícia rodoviária federal, polícia federal, polícia ferroviária federal, dentre outros - não excederá a seis horas diárias ou trinta horas semanais.

Também tramita em conjunto o Projeto de Lei 6399/09, do deputado Mauro Nazif (PSB-RO), que assegura aos policiais militares e bombeiros militares a carga horária semanal máxima de 48 horas.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Arquivado mais um projeto que beneficia os militares estaduais

É com pesar que divulgo a informação obtida através do boletim de acompanhamento de proposições da câmara dos deputados que o projeto de lei n.º 6329/2009 (nível superior para policiais e bombeiros miitares de autoria do então Deputado Capitão Assumção) foi arquivado com base no art. 105 do Regimento interno da Câmara dos Deputados(RICD), na integra, leiam o que trata esse artigo 105, RICD:

Art. 105. Finda a legislatura, arquivar-se-ão todas as proposições que no seu decurso tenham sido submetidas à deliberação da Câmara e ainda se encontrem em tramitação, bem como as que abram crédito suplementar, com pareceres ou sem eles, salvo as:
I - com pareceres favoráveis de todas as Comissões;
II - já aprovadas em turno único, em primeiro ou segundo turno;
III - que tenham tramitado pelo Senado, ou dele originárias;
IV - de iniciativa popular;
V - de iniciativa de outro Poder ou do Procurador-Geral da República.

Parágrafo único.

A proposição poderá ser desarquivada mediante requerimento do Autor, ou Autores, dentro dos primeiros cento e oitenta dias da primeira sessão legislativa ordinária da legislatura subseqüente, retomando a tramitação desde o estágio em que se encontrava.

Contudo mesmo antes de ter findado a legislatura e ter-se que necessariamente cumprir-se esse dispositivo no caso o art. 105 do RICD, já havia manisfestação de forma negativa do Deputado Marcelo Itagiba - PSDB/RJ (DELEGADO DA POLÍCIA FEDERAL QUE NÃO ADMITE EM HIPÓTESE NENHUMA QUE PRAÇA TENHA NÍVEL SUPERIOR), com o velho discurso que que a idade para ingresso nas Polícias Militares(PMMM), era de 19 anos, só para informar, hoje e de 18 anos, contudo cabe lembrar e isso é afirmação de uma experiência de 16 anos de Polícia e com pelo menos 10 anos como professor do Centro de Formação de Praças da Polícia Militar, que atualmente sabe-se claramente que um menino de 18 anos, normalmente não tem maturidade para empunhar uma arma e lidar com a vida das pessoas, daí os diversos Conselhos de Disciplina e destruição de famílias pela exclusão, prisão, e até mesmo morte de várias crianças que achavam que poderiam se assenhorar de tanta responsabilidade, mas fora o romantismo e sonho de ter uma polícia profissional com a capacidade de cuidar de sua comunidade vamos voltar ao fato.

O fato é que a PL 6329/2009 foi arquivada, nada que não possa ser resolvido, apenas vamos lutar para desarquivá-la e que seja apresentada novamente, vamos fazer uma corrente e cobrar isso de nossos representantes, se é que esses existem, contudo para quem tiver interesse segue o link das informações aqui prestadas com aspecto de desabafo e indignação de como nossas polícias são tratadas.

PL-6329/2009  Autor: Capitão Assumção - PSB /ES

Bom Domingo a todos e que Deus abençoe sua família!

Fonte: Blog segurança em ação

Obs.: frases entre parênteses  e títulos dos links do PL e voto em separado não são de autoria do Blog segurança em ação.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Recompensa por arma apreendida

Policiais civis e militares do Espírito Santo vão receber recompensa em dinheiro quando apreenderem armas e munição.Quanto maior o calibre mais alta é a gratificação. Fuzis de uso restrito do exército, por exemplo, valem um bônus de R$ 633,00. Já as armas de uso permitido para civis somam R$ 211,00 a mais no salário do policial. Munição e acessórios como mira a laser e silenciador também tem seu preço. Os valores dobram caso o portador da arma ilegal seja preso. Segundo o secretário de segurança pública do estado o intuito é incentivar policiais civis e militares. A remuneração por apreensões realizadas já está valendo em todo o estado.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

PEC 300 é o mínimo que eles merecem

A tragédia da região serrana deixou a descoberto muito mais além da tremenda destruição, da imensa dor da perda de vidas e bens e da sesquipedal incompetência de todos os governos em agir preventivamente em situações como estas. Trouxe também à tona , para que todos aqueles que ainda tinham qualquer dúvida do heroísmo, do espírito de despreendimento, do valor pessoal e coletivo de nossos policiais, tanto civis quanto militares, como nossos Bombeiros Militares .

Policiais do 11º Batalhão, sediado em Nova Friburgo perderam suas vidas e outros perderam bens e familiares. Tivemos quatro Bombeiros mortos, sendo três em uma viatura que seguia para um resgate e foi soterrada e outro que tentou salvar a própria família e perdeu sua vida nessa tentativa. Os integrantes da equipe de helicóptero da CORE da Polícia Civil são incansáveis em um vai e vem interminável a resgatar pessoas e a levar feridos da região serrana para hospitais. Nossos policiais e bombeiros não são apenas heróis porque trabalharam incansavelmente nas tarefas de resgate, de fornecimento de suprimento e de proteção ao patrimonio das pessoas atingidas pela tragédia. São heróis porque mesmo ganhando como salário base um valor em torno de dois salários mínimos atuais não demonstraram em qualquer momento desestímulo em trabalhar arriscando as próprias vidas, sem descanso sequer, para cumprir seu dever, no caso dos policiais, servir e proteger, e no caso dos bombeiros, vidas a salvar e patrimonios a resguardar.

Hoje, durante a vivencia imediata da tragédia e suas consequencias, todos certamente reconhecem o valor destes profissionais, porém , como em quase todas as situações pelas quais já atravessamos, o tempo é implacável para apagar da memória da grande massa tragédias, sejam causadas pela natureza ou pela má gestão pública. Daqui a algum tempo restarão apenas a dor dos que tudo ou quase tudo perderam, as imagens dela feitas e policiais e bombeiros voltarão a ser vistos por boa parte da população através de uma ótica perversa que estabeleceu para eles o paradigma da incompetencia e da violencia no caso dos policiais e da inépcia e ineficiencia no caso dos bombeiros..

Eu não gosto da palavra inveja, mas é com uma ponta dela que assisto como em outros países, principalmente nos EUA, se valoriza e se reverencia os heróis de suas polícias e bombeiros. O primeiro passo para isso já foi dado a algum tempo atrás por parte dos cidadãos com os aplausos populares à tomada do Alemão, cabe agora ao poder público agir concretamente para fortalecer esse espírito valorizando publicamente , não só em declarações como também na área pecuniária, o valor de cada policial e bombeiro que no momento em que escrevo está lá no meio dos escombros buscando por um suspiro de vida a salvar. A eles, nossas homenagens.
Fonte: falandoaverdadecomsegadasvianna