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segunda-feira, 20 de junho de 2011

Sérgio Cabral convoca bombeiros para ajudar nas buscas pela namorada do filho


O governador Sérgio Cabral convocou os bombeiros do Rio de Janeiro para auxiliar nas buscas das três pessoas desaparecidas após a queda de um helicóptero em Trancoso, distrito de Porto Seguro (BA), na noite de sexta-feira. Um dos passageiros não encontrados é Mariana Noleto, de 20 anos, namorada de Marco Antônio Cabral, filho de Cabral. A tropa está de prontidão e pode ir à Bahia na manhã de hoje. No acidente, quatro pessoas morreram.

No início da noite deste domingo, cerca de 15 bombeiros, incluindo o comandante-geral da corporação, coronel Sérgio Simões, foram ao Aeroporto Santos Dumont para voar para a Bahia. O grupo chegou a entrar no escritório de uma empresa de táxi aéreo. Mas, na última hora, a missão foi adiada.

— Vamos ficar aquartelados e aguardar até amanhã (hoje) de manhã para decidir se vamos — disse o coronel.

Caso os bombeiros do Rio ajudem nas buscas, que estão sendo comandadas pela Marinha, serão enviados oito homens da Divisão de Operações Subaquáticas do Grupamento de Busca e Salvamento (GBS). Eles deverão levar equipamentos individuais para o mergulho no litoral baiano.

No acidente, morreram Fernanda Kfuri, de 35 anos, e o filho Gabriel, de 2 anos e 10 meses, Lucas Kfuri, de 3, e Norma Batista de Assunção, de 49, babá das crianças. A namorada do filho do governador, o piloto Marcelo Mattoso de Almeida e Jordana Kfuri, mulher do empreiteiro Fernando Cavendish, estão desaparecidos.

Ajuda após protestos

A convocação dos bombeiros para auxiliar nas buscas ocorre 15 dias após o auge dos protestos por melhores salários dos integrantes da corporação, que resultaram na invasão do quartel central e na prisão de 429 bombeiros. Na ocasião, Cabral chamou os manifestantes de “vândalos” e “irresponsáveis”.

Nenhum dos bombeiros que foram ao aeroporto estava entre os presos durante as manifestações. Mas cinco deles estavam com a cabeça raspada, o que, segundo os integrantes da corporação, demonstra solidariedade ao movimento.

— Eles (bombeiros da Bahia) ganham mais do que a gente, mas nós é que somos chamados para resolver — afirmou um bombeiro que estava no aeroporto.

O salário de um soldado dos bombeiros da Bahia é de R$ 1.900. No Rio, é de R$ 943. Ao sair do aeroporto, o coronel Sérgio Simões cumprimentou os bombeiros um a um. Eles disseram estar à disposição para ajudar nas buscas.

Fonte: Extra Online

sábado, 4 de junho de 2011

Cabral chama bombeiros de vândalos

Em coletiva, governador chama bombeiros presos de "vândalos e irresponsáveis" e confirma exoneração do comandante da corporação

iG Rio de Janeiro

O governador do Rio, Sérgio Cabral, classificou de "grupo de vândalos e irresponsáveis" os bombeiros que invadiram o quartel-general da corporação e confirmou a exoneração do comandante-geral dos bombeiros do Estado, coronel Pedro Machado. O cargo deverá ser ocupado pelo coronel Sérgio Simões.

Em entrevista coletiva, o governador disse que o grupo de bombeiros que participaram da manifestação não vai "prejudicar de forma alguma a imagem de uma instituição tão respeitada e querida pelo povo do Rio de Janeiro".

Cabral iniciou a coletiva defendendo a política adotada durante seu governo. "Há décadas o corpo de bombeiros não vê o número de equipamentos e condições de trabalho que recebeu nos últimos quatro anos", disse.

Além disso, o governador foi enfático ao afirmar que os responsáveis responderão administrativa e criminalmente pela invasão.

O governador esteve reunido desde as 8 horas da manhã deste sábado com assessores no Palácio Guanabara para fazer um diagnóstico do confronto entre bombeiros e as forças do Batalhão de Choque e do Bope após a invasão do quartel-general da corporação, na noite de ontem. Cabral montou um gabinete de crise para avaliar a situação.

Participam da reunião os secretários de Segurança (José Mariano Beltrame), Sérgio Ruy (Planejamento), Wilson Carlos (Governo), Regis Fitchner (Casa Civil), além da procuradora-geral do Estado, Lúcia Leia, e do vice-governador Luiz Fernando Pezão. Durante a manhã chegou ao local também o comandante-geral da Polícia Militar, Mario Sérgio Duarte.

No início do dia, o então comandante-geral dos bombeiros do Estado, coronel Pedro Machado, saiu do Palácio Guanabara sem falar com os jornalistas. Ele afirmou somente que todas as informações serão passadas pelo governador.

De acordo com um dos comandantes da greve, Cabo Benevenuto Daciolo, todos os bombeiros militares detidos, cerca de 440, entraram em greve de fome. Os militares dizem ainda que bombeiros de folga e familiares estão sendo convocados pela direção da greve a ocuparem quartéis em todo o Estado do Rio de Janeiro. O movimento é uma represália à prisão dos bombeiros que invadiram o quartel-general na noite de ontem. Segundo os militares, somente casos de extrema emergência estão sendo atendidos, como acidentes de trânsito e incêndios.

Bombeiros detidos entram em greve de fome

O quartel de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, é um dos que não estão atendendo casos de rotina. O local já esta cheio de familiares e de militares que estão de folga. O mesmo acontece no quartel de Campinho, na Zona Norte da cidade. De acordo com os bombeiros de Campo Grande, não há prazo para retirar as famílias de dentro das unidades. No entanto, o governador Sérgio Cabral não confirmou a informação.

Pelo menos 11 ônibus já saíram de dentro do quartel-general dos bombeiros com 439 militares presos. Eles foram conduzidos para o Batalhão de Choque da Policia Militar do Rio e então para a Sede da Corregedoria, em São Gonçalo. O local, entretanto, foi considerado inadequado. Os presos permanecem dentro dos ônibus e aguardam uma nova transferência.

O Batalhão de Choque e o Bope entraram no quartel dos bombeiros por volta das 6h30 da manhã. Foram ouvidos tiros e bombas. Também houve queixas sobre a liberação de gás de pimenta. Pelo menos cinco crianças ficaram feridas na ação. Pelas primeiras informações, alguns bombeiros também estavam armados.


A deputada estadual Janira Rocha (PSOL) foi até o batalhão e disse que houve tiros de fuzil no momento em que a PM invadiu o quartel. “Tem viatura dos bombeiros perfurada por tiro de fuzil", disse, mostrando uma cápsula de fuzil. “Não sei como Cabral deu uma ordem dessa".

Vários bombeiros apresentaram ferimentos, mas evitaram ser atendidos no hospital Souza Aguiar, que fica a poucos metros do local, para não serem presos. Até agora, não há um número oficial de feridos. “A gente ganha pouco, não temos condições de trabalho e ainda tomamos tiro, porrada e bomba. Isso é uma vergonha nesse governo”, disse o bombeiro-militar Marcelo Aguiar Silva, na Praça da República. Ele foi um dos bombeiros que tiveram pequenas escoriações. Apesar dos ferimentos, ele preferiu entrar em um carro particular, para ser socorrido por meios próprios.

A invasão do quartel dos bombeiros foi liderada ontem por cerca de 2 mil manifestantes. Eles foram surpreendidos pela ação realizada nesta manhã, pois tinham montado barricadas no local, mas o Bope e o Batalhão de Choque entraram pela lateral do quartel.
Dezenas de bombeiros foram levados para o Batalhão de Choque da PM, na região central. Eles estão sendo mantido na quadra do local, acusado de desobediência e de destruição de patrimônio público. Fora do batalhão, cerca de 60 pessoas pedem a liberação dos manifestantes e gritam palavras de ordem como "Cidade Maravilhosa, cheia de encantos mil, Cidade Maravilhosa, pior salário do Brasil". São ouvidos também gritos de “Bombeiros não é bandido” e “Alô, policia, pode chegar, seu salário também vai aumentar”.

*Com reportagem de Anderson Ramos, especial para o iG, e Vicente Seda, iG Rio de Janeiro

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Sargento Alves e a PEC 300

Sargento Alves, policial militar há 18 anos, no dia 7 de abril de 2011 impediu que a tragédia em uma escola de Realengo, Rio de Janeiro, tomasse dimensões sem limites. Sua ação rápida e eficaz tirou de circulação um maníaco descontrolado, poupando muitas vidas de inocentes.

Capitão Assumção

O fatídico 7 de abril de 2011 será lembrado para sempre como o dia em que um maníaco tirou a vida de inocentes estudantes. Todo o ano a imprensa brasileira fará menção ao episódio que banhou de sangue uma escola do Rio de Janeiro.

Em virtude desse fato não posso deixar de mencionar que a tragédia poderia ter sido muito maior e por isso quero fazer referência a um policial militar, o sargento Márcio Alexandre Alves, do Batalhão de Policiamento Rodoviário. A imprensa escreve que ele “se transformou em herói”.

Ele sempre foi herói. Se ocorressem mil ações em que vidas estivessem na iminência de se esvaírem ele entregaria a dele para resgatá-las. E nesse dantesco 7 de abril coube a um famélico policial, garantidor da liberdade dos cariocas, essa atuação renomada de tirar de circulação um louco que tinha o objetivo de eliminar quantas crianças fosse possível.

Foi uma tragédia sem precedentes, que jamais será esquecida por nós brasileiros e por todo o mundo. Mas essa tormenta poderia ter sido muito maior. A ação desprendida do Sargento Alves, que já nasceu herói, ao neutralizar para sempre um atormentado mental, evitou que essa angústia fosse de dimensões muito maiores, talvez triplicadas. O que estava em jogo não era a sua vida mas a de indefesas crianças. Deus protegeu a vida do policial.

Dentro em breve, as pessoas esquecerão esse momento de dor. Agora, a cada ano, homenagens justas serão feitas aos infantes adormecidos. Sargento Alves será esquecido. Um bravo que já nasceu herói, como todos os profissionais da segurança pública que como ele lutam diariamente para sobreviver, dia após dia, diante da inércia do estado que os abandona ao léu, remunerando-os com um salário de fome.

E foi justamente pelas mãos do Sargento Alves, policial militar há 18 anos, da Corporação que tem um dos mais baixos salários do Brasil, que a dor dos brasileiros deixou de ser maior. Um policial que sonha e merece ter o piso salarial nacional (PEC 300) como uma realidade em sua vida. Ele faz jus e merece ser enaltecido pelo trabalho heróico que desenvolve. Como todos os demais.

Só os governos não querem ver a magnitude do trabalho desses heróis anônimos reconhecida. Uma senhora, Giudete de Vasconcelos, que tem três netas naquela escola, falou pessoalmente ao Sargento Alves: ‘Em uma hora dessas, temos que dar valor a esses profissionais. O meu neto poderia ter sido atingido, mas ele está bem em casa. Ele é um herói’.

Alves, envolvido pela dor das crianças assassinadas, desabafou: ‘tenho tristeza por essas crianças, tenho filhos, mas também tenho um sentimento de dever cumprido. A tristeza não vai sair fácil da nossa memória, mas cumpri a minha parte. Se eu tivesse chegado 5 minutos antes, talvez tivesse evitado muita coisa’.

O governador Sérgio Cabral, administrador de um dos mais ricos estados do Brasil, como sempre, se resumiu em dizer que o nosso Sargento Alves foi um herói. Ele sempre foi herói. Pelas suas ações, por esta do dia 7 e pela abnegada atitude em servir a um estado que deixa à míngua os seus valentes.

Falta ir além, governador. Policial sente fome. Tem família. Quer dignidade. Vá além das palavras. O piso salarial nacional dos bombeiros e policiais, a PEC 300, está travada na Câmara dos Deputados. Movimente-se para aprová-la. Saia da inércia, Sérgio Cabral. O nosso Sargento Alves, policial brasileiro, merece a PEC 300.